O Parque Terra Nostra tem mais de dois séculos de vida.
A sua origem remonta a 1780, quando Thomas Hickling, então Cônsul dos Estados Unidos da América em S. Miguel, aqui fez construir a sua residência de Verão, mais conhecida por Yankee Hall. Foi, no entanto, a partir de meados do século XIX que este jardim, cuja área inicial era apenas de dois hectares, experimentou um notável desenvolvimento, por iniciativa dos seus sucessivos proprietários, os Viscondes da Praia e, posteriormente, a família Bensaude. Adquirido em 1848, pelo Visconde da Praia, o jardim conheceu uma primeira ampliação que deu origem à criação de jardins de água e à plantação de alamedas sombrias e de canteiros de flores, bem como à substituição do Yankee Hall pela actual Casa do Parque. A partir de 1872, o seu filho, o Marquês da Praia e Monforte prossegue a obra dos seus pais seja através do embelezamento da casa ou, sobretudo, através duma obra significativa de ampliação e de ordenamento do jardim, recorrendo a especialistas, Portugueses e Ingleses, que procederam à construção do actual canal serpentiforme, das grutas, das avenidas de luxo e, ainda, dos caminhos ladeados de laranjeiras, hoje desaparecidas. Data ainda dessa época, a plantação de boa parte das árvores mais emblemáticas, que hoje dominam diversas áreas do Parque e que foram importadas de zonas tão longínquas e díspares como a América do Norte, a Austrália, a Nova Zelândia, a China e a África do Sul. Já nos anos 30 do século passado, o Parque Terra Nostra, entretanto adquirido por Vasco Bensaude, que nele viu um indispensável complemento ao recém inaugurado Hotel Terra Nostra, é de novo ampliado, por aquisição de parcelas de terreno adjacentes, perfazendo os actuais 12,5 hectares de jardins e matas.
Vasco Bensaude, detentor de vastos conhecimentos nas áreas de botânica e da jardinagem, procede então à recuperação do Parque, cuja direcção é confiada ao seu jardineiro escocês, John Mclnroy. Em paralelo à renovação da Casa do Parque e do lago artificial de água férrea, então forrada com pedra de cantaria, são levados a cabo significativos trabalhos de conservação dos caminhos e dos lagos do Parque bem como numerosas plantações. Esta obra de conservação e de embelezamento tem tido continuidade através das sucessivas gerações da família Bensaude, primeiro por iniciativa de Filipe Bensaude que, a partir de 1990, recorre a uma equipa de especialistas ingleses, o Horticultor David Sayers e o Arboricultor Richard Green, para procederem à identificação e tratamento das árvores do parque bem como ao seu rejuvenescimento através de vastas plantações, abrangendo a introdução de mais de 3000 árvores e espécies arbustivas. Mais recentemente, por outros membros da família proprietária do Parque, em particular Patricia e Joaquim Bensaude, que têm dado continuidade à constante preocupação de preservar e desenvolver este património ímpar, tarefa em que têm sido incansavelmente apoiados pelo jardineiro chefe do Parque Terra Nostra, Fernando Costa. Das mais recentes iniciativas destacam-se a construção dos jardins dedicados, respectivamente, à apresentação das colecções de plantas endémicas, de fetos e de cycas, o jardim de flores e plantas anuais e a criação do jardim das camélias.
Colecção de plantas endémicas
Encontram-se aqui reunidos exemplares das principais plantas endémicas da ilha de São Miguel. Esta colecção que foi iniciada em 1993 proporciona ao visitante a possibilidade de observar a riqueza da flora endémica do arquipélago dos Açores, a qual apresenta alguns traços comuns com outras zonas da região da Macaronésia (que inclui, para além dos Açores, os arquipélagos da Madeira, Canárias e Cabo Verde).
Existem nos Açores 56 espécies exclusivas ao arquipélago.
Podem ser aqui observadas, entre outras, as seguintes variedades: azorina vidalis, cedro do mato, louro de cheiro, faya da terra, urze, uva da serra, vinhático.
Jardim dos fetos
Nesta zona do Parque, à beira do canal em que corre a água férrea e morna que alimenta a piscina, está localizada uma vasta colecção de fetos com cerca de 220 variedades (algumas das quais são plantas endémicas).
Esta colecção que foi iniciada em 1995 constitui um local de visita interessante que permite a observação de plantas próprias de zonas sombrias de mato enquanto outras que se encontram à beira do canal de água férrea são próprias de ambientes húmidos.
Colecção de Vireyas
Provenientes da Malásia, tem sido progressivamente introduzida, nos últimos 10 anos, uma variada colecção de vireyas – Rododendrons da Malásia – cuja floração ocorre ao longo de largos meses do ano. Beneficiando do clima ameno dos Açores, estas plantas, cuja coloração intensa, em tons de branco, laranja, rosa, salmão ou vermelho, conferem uma intensa vivacidade cromática à zona, adjacente à piscina de água férrea em que se encontram localizadas.
Colecção de azáleas
O Parque Terra Nostra conta com um significativo número de manchas com plantações de azáleas, cuja floração, em Março e Abril, lhe conferem uma interessante variedade cromática, passando dos tons branco às cores mais tradicionais do vermelho e lilás, emblemáticas da ilha de S. Miguel.
Jardim das cycas
Data do ano 2000,a adaptação deste antigo laranjal do Parque para aí receber esta colecção de cycadaceas.Em vias de extinção estas plantas existem há milhões de anos.São provenientes da África,Austrália,Américas Central e do Sul e foram trazidas para a Europa no inicio do século XVII.
O Parque Terra Nostra conta actualmente com cerca de 85 variedades destas plantas, a maior colecção Nacional, que têm tido uma excelente adaptação e propagação.
Neste local plantou-se em 2009 um exemplar do Pinheiro Nobilis-Wollemi (Wollemia Nobilis-Araucariaceae),espécie descoberta em (1994) na Austrália,planta rara e também considerada um fóssil vivo vegetal,que assim se junta aos já existentes no Parque como por exemplo:
Cycas,Gingkos,Araucarias,Agathis e Fetos-Arbóreos.
Rodeadas por uma sebe baixa, de plantas de chá (Camellia sinensis),e protegidas por uma sebe secular mais alta ,constituida por Incensos(Pittosporum undulatum) e de Eugénias (Syzygium),entre as duas sebes existe uma cobertura de Clivia Miniata,que dão flor na Primavera.
O Jardim das Cycas constitui um local privilegiado para desfrutar de uma incomparável vista sobre a encosta da cratera que rodeia o Vale das Furnas.
Jardim das Camélias
A criação do Jardim de Camélias está a ser feito em 4 zonas contíguas do Parque e contem mais de 600 variedades de camélias. Na primeira estão espécies de Reticulatas , Hibridas e Japónicas, Na segunda atrás separadas por uma sebe alta estão espécies de Hibridas, por trás numa zona funda e mais escura estão espécies de Sasanquas e do lado direito do Jardim das Flores numa zona também bastante vasta no meio de Palmeiras estão espécies Japónicas. A maior parte já tem identificação.
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